Dia-a-dia de um distrito rural, doze concelhos e meia dúzia de pequenas cidades encravadas nas montanhas mais a norte de Portugal
domingo, 27 de janeiro de 2013
Queima do Entrudo em Alfândega da Fé
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Neve em Bragança
domingo, 20 de janeiro de 2013
Novo som de MK Nocivo
sábado, 19 de janeiro de 2013
Ofertas de emprego
Localidade: Bragança
Empregador: Conteúdo Chave
Perfil pretendido: Profissionais talentosos se possível com elegibilidade para Estágio. Áreas de Comunicação e Relações Públicas.
Candidaturas: geral@conteudochave.pt
Localidade: Bragança
Empregador: Conteúdo Chave
Perfil pretendido: Procuramos novos colaboradores para as áreas de Vendas, Marketing, Account Senior/Junior
Candidaturas: geral@conteudochave.pt
Localidade: Bragança
Empregador: Conteúdo Chave
Perfil pretendido: Profissionais talentosos, se possivel elegíveis para Estágio Profissional. Competência na área Informática e Novas Tecnologias. Desenvolvimento e programação em Mobile e Aplicações
Candidaturas: geral@conteudochave.pt
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Companhia de Angola traz Paisagens Propicias a Bragança
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| Foto retirada do Teatro Municipal de Bragança |
Bragança, a par com Lisboa e o Porto, foi a cidade portuguesa escolhida pela Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) para exibir a sua mais recente criação - "Paisagens Propícias".
Este é um espectáculo de dança inspirado no vasto universo que é a obra de Ruy Duarte Carvalho, a qual, compreendendo um largo espectro de produção artística que vai da literatura à fotografia e do desenho ao cinema, constitui uma abundante fonte de matéria criativa. Foi com base nela que a companhia partiu para a recriação de outros universos ou paisagens; para especulações criativas que vão de encontro ao próprio espírito essencial e constante da sua vida.
As cores e calores da terra absorvidos da sua obra remetem-nos para a vida por detrás da paisagem ou do ser que respira dentro dos corpos nutridos pelo labor das colheitas e do gado.Com os intérpretes da Companhia de Dança Contemporânea de Angola mergulhou-se nesse rio que corre a sul, na província do Namibe. Filtrados pela superfície da linha de água, escutaram-se vestígios de sons, gestos e cores que foram trazidos à tona embrenhados nos corpos e nas almas.
Através do processo criativo efectuou-se um caminho de retorno ao essencial. Evitando os lugares comuns e apontando às emoções, às objetividades e contrariedades do ser humano, geraram-se novos territórios de representação, alegorias de espaços e geografias, origem de todas as coisas.
Local: Teatro Municipal de Bragança
Data e Hora: 23 de janeiro; 21h30
Duração: 60 minutos
Preço: 6 (seis) euros
CANCELAMENTO DA TEMPORADA EM LUANDA
"Paisagens Propícias" é um espectáculo que estreia apenas este ano e em Portugal, muito embora tenha sido a peça escolhida para a abertura da temporada 2012 em Luanda. Problemas no edifício do Cine-Teatro Nacional da capital angolana levaram ao seu cancelamento.
Dando prosseguimento à sua programação e lamentando que a estreia mundial da peça “Paisagens Propícias” não tenha acontecido em Angola, a Companhia de Dança Contemporânea fez estreia em Portugal, no início do ano. Daqui o colectivo seguirá, no próximo mês, para Cuba.
PERCURSO DA CDC ANGOLA
Pioneira da dança contemporânea em Angola, onde é a única com estatuto profissional, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, fundada em 1991 pela coreógrafa angolana Ana Clara Guerra Marques, marca a ruptura estética e formal da dança neste país africano, ao propor a abertura para novos conceitos de espectáculo num terreno conservador quase exclusivamente marcado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas.
A utilização de espaços cénicos não convencionais, bem como a iniciação do público angolano ao Teatro-Dança, entre outras sugestões para a diversificação e renovação das linguagens da dança em Angola, não tem sido tarefa fácil, apesar das suas novas propostas estéticas despertarem cada vez mais a curiosidade e o interesse do público.
Fonte: Jornal O País
Santuário dos Cerejais: Retiro Espiritual
"A Força da Fé" é a temática proposta para o próximo Retiro Espiritual para Catequistas, agendada de 08 a 10 de fevereiro, no Santuário dos Cerejais, em Alfândega da Fé.
Este é um momento que o Secretariado Diocesano de Catequistas pretende que seja "de formação, comunhão e convívio entre todos aqueles que têm por missão anunciar Jesus Cristo, especialmente aos mais novos".
O retiro será orientado pelo Pe. José António Machado e inicia-se com o jantar de dia 08, às 19h30. É aconselhado levar boa disposição, vontade de reflectir e de trabalhar em grupo, e material de trabalho - caderno, caneta, instrumento musical (se tocar) e a Bíblia.
As inscrições estão disponíveis no sítio da Diocese de Bragança-Miranda - aqui.
Arte: Iniciação à Gravura em Alfândega da Fé
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| Cartaz Workshop |
No âmbito da exposição “Gravura, a técnica, a oficina e o impressor” de Tomás Dias, patente na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues até 5 de março, vai ter lugar neste espaço cultural um Workshop de iniciação à Gravura. A atividade decorre nos dias 21 e 22 de janeiro, em horário pós-laboral (20.30h/23.00h), e é ministrada por Tomás Dias.
Este mini curso acontece na Galeria de exposições, local onde este mestre da gravura tem expostos cerca de 50 trabalhos e alguns materiais que servem de base à atividade de um gravador. Aliás, este é também um dos fatores de interesse desta mostra, ou seja, a possibilidade de ficar a conhecer a oficina, a técnica e o impressor. É neste campo que o mini curso ganha especial relevo, assumindo-se como uma oportunidade de adquirir conhecimentos básicos em gravura, explorando gostos, criatividade ou possibilitando a descoberta de novos talentos.
O workshop é destinado a um público diversificado, com ou sem experiência na área da gravura. As inscrições ainda estão a decorrer na Casa da Cultura. A participação na atividade tem um custo de 5€.
Lagarta é a nova associação cultural de Bragança
| Foto de Carla A. Gonçalves, Direitos Reservados |
Feira do Fumeiro de Montalegre com anúncio ao estilo Gangnam Style
Autarca de Mirandela atende população
Há meio ano que o autarca transmontano António Branco responde a questões dos munícipes no Facebook, numa iniciativa designada "Diálogos Abertos", à qual vai acrescentar, a partir de 25 de janeiro, os "Diálogos Diretos".
Uma vez por semana, à sexta-feira, tal como acontece no Facebook, o presidente da Câmara estará disponível nos espaços físicos municipais com maior afluência de público e também com uma localização mais central: Gabinete de Apoio ao Munícipe e o Palácio dos Távoras, edifico onde funcionam os serviços camarários.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/presidente-da-camara-mirandela-alarga-atendimento-virtual-ao-presencial=f706744#ixzz2IK7AvNtQ
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Ofertas de Emprego em Bragança
Posto: Técnico Superior
Localidade: Mirandela:
Empregador: Instituto Politécnico de Bragança
Perfil pretendido: Ao posto de trabalho a concurso competem, designadamente,as seguintes atividades: controlo e execução do secretariado -geral; Suporte direto à direção e aos respetivos Conselhos Permanente, Técnico-Científico e Pedagógico; Coordenação da agenda dos membros da Direção; Organização e preparação de reuniões; Tratamento de correspondência e e -mail; Participação na preparação de apresentações, credenciais, propostas, informações, Planos e Relatórios de Atividades;
Elaboração de procedimentos para a gestão da documentação e arquivo; Gestão da informação académica ao nível da utilização, preparação de trabalho e tarefas de planeamento; Apoio ao sistema de mobilidade
internacional de discentes e docentes; Processos de recolha e tratamento de dados; Promover a cooperação e interação com outras instituições de ensino e governamentais e com empresas, através de convénios e
protocolos institucionais de âmbito nacional e internacional.
Candidaturas: É necessário visitar o site do IPB - Comunidade - Recrutamento - Documentos - Outros e fazer o download do formulário da candidatura (aqui, no final da página), enviar por correio registado para:
Campus de Sta Apolónia, 5300-253 Bragança
Data Limite: 28-01-2013
Link aqui
Posto: Consultor On-Site
Localidade: Bragança:
Perfil pretendido: Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos, Sociologia, Psicologia ou áreas equivalentes;
Experiência mínima de 6 meses na área de recrutamento e selecção (preferencial).
Bons conhecimentos de informática na óptica do utilizador (Microsoft Office)
Conhecimentos de Inglês e Espanhol (preferencial)
Carta de Condução e viatura própria (preferencial)
Boas capacidades de planeamento e organização
Orientação para o cliente
Cumprimento de instruções e procedimentos
Capacidade de adaptação e resistência à pressão
Candidaturas: Os candidatos que reúnam o perfil mencionado devem enviar para qualidade.norte@adecco.com, o seu curriculum vitae e uma carta de apresentação expondo as suas mais valias para a função.
Posto: Assistente de Loja
Localidade: Bragança:
Perfil pretendido: Mínimo 12º Ano de escolaridade; - Idade entre 18 e 35 anos; - Experiência no atendimento a Clientes e áreas administrativas (fator eliminatório); - Boa capacidade de comunicação; - Disponibilidade imediata para iniciar formação (mesmo horário de trabalho). HORÁRIO PREVISTO: Segunda a Sexta-feira das 8H15 às 17H00
Candidaturas: Os interessados devem enviar o C.V atualizado., com fotografia. EGOR OUTSOURCING PORTO Os candidatos considerados serão contactados no prazo máximo de 15 dias úteis.
Posto: Jornalista em regime de Estágio Profissional
Localidade: Macedo de Cavaleiros:
Perfil pretendido: Licenciatura em Jornalismo ou na área de Comunicação Social. Conhecimentos sólidos de Photoshop e Indesign
Candidaturas: Os interessados devem consultar aqui
A receita das gomas
Aberto à colaboração dos pais, esta oficina promete misturar criatividade e ciência e ensinar os mais novos, e aos gulosos, a receita das gomas.
A oficina tem inscrição prévia no valor de dois euros. Para mais informações contactar 273 302 410; centro.arte@cm-braganca.pt
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Bispo de Bragança encerra Jornadas Teológicas em Lisboa
Foz Tua: “Barragem impede criação de emprego”
João Joanaz de Melo – Destrói um património único, que é o vale e a linha do Tua. Quer pelo valor paisagístico e cultural, quer por ser uma peça emblemática da região do Douro. Destrói também a possibilidade de conectividade entre o vale do Douro, Trás-os-Montes e Galiza. Por fim, ameaça a produção de vinho do Porto e destrói um ecossistema raro em Portugal.
– Vai criar mais emprego?
– Não. Embora crie emprego na construção. O balanço é amplamente negativo, conforme assumido no estudo de impacte ambiental. Pode inclusive impedir a criação de mais emprego e destrói emprego no sector do turismo de qualidade muito dependente do próprio vale do Tua.
– A região do Alto Douro, património da humanidade, e a barragem são compatíveis?
– Não são compatíveis. A barragem põe em causa a integridade dos valores que levaram à classificação de património da humanidade. Se a barragem for aceite pela UNESCO, é uma infracção às próprias normas.
– A UNESCO arrasou o planeamento e execução da obra. Podemos perder a classificação?
– Neste momento não há uma decisão final. Depende muito do comportamento do Estado português. A UNESCO exigiu medidas muito difíceis, que o Estado não vai conseguir cumprir.
– O que é melhor: parar ou aplicar as medidas exigidas?
– Financeiramente é mais barato parar a barragem do que avançar com a construção. Parar a barragem é a melhor solução para Portugal, porque as medidas exigidas pela UNESCO são muito mais dispendiosas e é um custo que será sempre pago pelos contribuintes. Além de ser a melhor solução para o ambiente.
Mogadouro vai ter um hotel resort
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| Foto de Francisco Pinto |
O "Douro Equus Resort Natur", um hotel de charme sitiado no concelho de Mogadouro, já se encontra em construção, para dar vida a um empreendimento que vai custar cerca de 7,6 milhões de euros num projeto que pretende mudar a face do turismo no Nordeste Transmontano.
O futuro equipamento turístico vai criar 30 postos de trabalho no concelho transmontano de Mogadouro e ficará instalado na freguesia rural de Vila de Ala.
O empreendimento é financiado através de fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), ao abrigo do SI Inovação PROVER, no âmbito do PROVER do Vale do Côa, e cofinanciando pelo Programa Operacional Regional Norte (ON.2).
O "Douro Equus Resort Natur " abrange ainda um centro hípico e um "Biocampus", que ficará instalado numa área de 22 hectares de terreno, cedido pela freguesia de Vila de Ala.
A vertente equestre da iniciativa turística é uma mais-valia, já que vai ser também um espaço destinado aos amantes dos desportos a cavalo, prevendo-se mesmo a organização de provas internacionais naquele espaço.
Fonte: RBA
Foto: Francisco Pinto
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Bingo regressa legalmente a Bragança
Ao longo de mais de 30 anos, a população habituou-se ao "bingo do Desportivo" em espaços públicos e sem constrangimentos até que, no verão de 2002, uma operação policial desmantelou o jogo com que o Grupo Desportivo de Bragança (GDB) angariava receitas.
O Turismo de Portugal fez publicar, esta segunda-feira, em Diário da República, o anúncio da abertura do procedimento para a concessão de uma licença para exploração de uma sala de jogo do bingo no Distrito de Bragança, que permitirá a abertura do primeiro espaço legalizado nesta região.
A licença é extensível a todos os concelhos do Distrito de Bragança pelo prazo de dez anos e as propostas devem ser apresentadas nos próximos 60 dias, segundo as condições publicadas em Diário da república.
As salas de bingo existentes legais em Portugal pertencem a casinos ou clubes desportivos com maior capacidade financeira.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Proposta para o Ano da Fé, novo livro de D. José Cordeiro
O bispo de Bragança-Miranda, D. José Manuel Cordeiro, acaba de lançar um novo livro com doze propostas para ajudar os fiéis a viverem melhor o Ano da Fé que a Igreja Católica está a promover. A obra, intitulada “Fé acreditada, Fé rezada”, procura contribuir para uma crença católica “próxima do ritmo litúrgico e esperançosamente inscrita na vida quotidiana”. As sugestões incluídas na publicação “tanto podem ser seguidas integralmente como servir de apoio e inspiração às dinâmicas celebrativas dos diversos grupos e comunidades eclesiais”, acrescenta. O projeto de D. José Cordeiro, com a chancela da editora PAULINAS, vai ser posto à venda em Bragança na próxima semana, na Casa de Santa Clara (mais conhecida por Casa do Arco). No lançamento do Ano da Fé na sua comunidade, a 14 de outubro, o bispo sublinhou a necessidade de “educar” as pessoas para a “participação” na liturgia, considerando este objetivo “um enorme desafio” para a Igreja. O especialista em Liturgia salientou ainda que “a espiritualidade não se ensina, aprende-se e experimenta-se”, incentivando os fiéis a uma maior atenção ao cumprimento dos sacramentos, que “têm a função de santificar, de edificar a Igreja”, à “oração”, sinal da “relação com Deus vivo e verdadeiro” e à prática da “caridade, elemento imprescindível para a verdade do culto cristão”. Nesse âmbito, o prelado apresentou três obras, uma dedicada aos mais novos, “Youcat, orações para jovens”, outra intitulada “Liturgia, a primeira escola da fé”, e uma terceira sobre o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965), “Vaticano II, 50 anos, 50 olhares”. Com o livro “Fé acreditada, Fé rezada”, D. José Cordeiro remete os fiéis para temáticas como o crescimento na fé, a importância do “testemunho credível” e “a novidade da Páscoa”. O Ano da Fé, convocado por Bento XVI, teve início no dia 11 de outubro, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II e vinte anos após a publicação do Catecismo da Igreja Católica, e vai decorrer até novembro de 2013.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Drácula em Bragança
A companhia Vortice Dance Company vai apresentar, no próximo sábado, 20 de Outubro, às 21h30, no Teatro Municipal de Bragança, a criação "Drácula", uma inspiração do clássico de Bram Stroker onde aparecem novas personagens, lendas e mitos.
A peça surgiu de uma co-produção com o Ballet e Ópera da Macedónia, onde os coreógrafos e bailarinos principais da Vortice Dance estiveram em residência artística.
Entre 2011 e 2012, a digressão desta peça passou por várias cidades, de entre as quais, Pamplona, Gijon, Cédiz e Cáceres (Espanha), Bolzano e Veneza (Itália). Em Portugal, foi apresentado no Auditório dos Oceanos do Casino de Lisboa e agora tens a oportunidade de o ver no Teatro Municipal de Bragança.
domingo, 14 de outubro de 2012
Jazz sensorial em tempo de vindimas
Chamamos-lhe um novo jazz pela surpreendente reinvenção do repertório musical apresentado. Sensorial, pelas emoções e memórias que desperta a voz doce de candura jovial de Elisa Rodrigues acompanhada por um dos melhores pianistas portugueses - Júlio Resende. "Nunca é demais dizer o nome de Júlio Resende. Ele é um músico formidável e merece ver o seu nome repetido muitas vezes", confidenciou ao público num diálogo tímido mas envolvente, de mais um concerto no âmbito do Douro Jazz, ontem, no Teatro Municipal de Bragança.
Ela, que de Bragança guardava uma não muito distante memória de quando, com cinco aninhos, veio aqui também cantar, mas num grupo coral, numa formação que começaria por ser clássica e que, só mais tarde, na descoberta de si própria, haveria de enveredar pelo jazz, numa recriação íntima e pessoal. "Dormi aqui num hotel e na manhã seguinte, antes da viagem, bebi um sumo de laranja que me deixou indisposta durante toda a viagem de autocarro", confidenciou arrancando sorrisos ao público. Um público que quis marcar presença e que, quase à última da hora, obrigou a alterar o concerto da Caixa de Palco para o Auditório Principal.
É que Elisa Rodrigues encarna, de uma forma simples mas não simplista, o sonho e a paixão pela arte que vai descobrindo num mundo cada vez mais formatado para a economia de consumo.
Foi uma hora e qualquer coisa de grande música, com dois grandes artistas a partilhar uma mesma linguagem, num repertório que nos levou do pop ao rock, de Nirvana a Elis Regina, num tom equilibrado que marca o seu primeiro álbum - "Heart Mouth Dialogues". Elisa Rodrigues não esqueceu os "conselhos" do pai. "Recordo-me sempre de ele criticar cantores que tentavam imitar outros, quase cantando por cima deles, e de dizer que mais valia estarem calados". Não é o caso de Elisa que, ao reinventar está a criar e a descobrir-se a si própria num caminho que ansiamos que continue a dar-nos boa música.
Arriscamo-nos a ser Outra Grécia.
Arriscamo-nos a ser Outra Grécia. (Visão...por José Luís Peixoto)
Normalmente, esta frase é dita por senhores de fato, protegidos pelo ecrã da televisão. Não estão nervosos, como os desempregados que gritam na rua ou à porta da fábrica, estão até bastante serenos; também não têm a cara pintada, nem estão a insultar ninguém, como aquela multidão de rapazes e raparigas que nunca conseguiram um emprego que durasse mais de três meses, estão compostos e falam com correção. Vestem-se como pessoas sensatas, penteiam-se como pessoas sensatas, têm carros de cilindrada sensata a esperá-los no estacionamento.
Arriscamo-nos a ser outra Grécia.
E, no fundo, estão a dizer:
Vocês arriscam-se a transformar este país noutra Grécia.
Eles não fazem parte do "nós", eles estão a avisar-nos. Por eles, pela sua acção, este país nunca se tornaria noutra Grécia. Se assim fosse, eles não nos estariam a alertar, em tom professoral, em tom de quem sabe mais e melhor. Não são eles que estão em risco de ser uma nova Grécia, eles são apenas desinteresse e boas intenções. Somos nós, sem eles, que estamos em risco de ser outra Grécia.
A xenofobia dessa frase é desprezível. Utiliza a ignorância dos sentimentos mais rasteiros para justificar argumentos desonestos. Ao mesmo tempo, quer fazer pressupor que a Grécia está na atual situação económica porque o seu povo protesta.
Esses senhores, que até podem ter óculos, aliviam a sua consciência culpando os pobres da própria pobreza. Há bem pouco tempo, por exemplo, insurgiam-se contra o rendimento mínimo. Nunca se lhes ouviu uma palavra acerca dos paraísos fiscais.
Justificam a avareza mais reles, com a ideia de que a ajuda pública desencoraja os pobres de trabalhar, torna-os preguiçosos. Isto, com frequência, vindo da parte de pessoas que descendem de linhagens com muito a aprender acerca do que é o trabalho.
Neoliberais de merda. O Estado não deve meter-se na vida das grandes empresas ou dos bancos, a não ser para, à mínima dificuldade, lhes enfiar pazadas de dinheiro pela goela abaixo. Depois, se o Estado precisar seja do que for, não tem o direito de exigir nada. Não tem o direito de interferir na liberdade do mercado. Só tem direito de interferir na liberdade dos cidadãos.
Se calhar, temos de ser nós a ensinar-lhes que é o trabalho que cria riqueza e não aqueles que vendem o trabalho dos outros.
Arriscamo-nos a ser uma nova Grécia?
De cada vez que os portugueses saem à rua, voltam a casa com mais dignidade. Ao contrário do que aconteceu demasiadas vezes, as imagens de multidões demonstram que não está tudo certo, eles não têm legitimidade para tudo. Sobretudo, não têm legitimidade para fazer o oposto daquilo que disseram que iam fazer e, menos ainda, para serem lacaios de outros em que ninguém votou.
Ridículos: a anunciarem medidas antes de jogos de futebol, a esconderem-se no estrangeiro onde não comentam nada, a dizerem que temos o melhor povo do mundo. O mesmo povo que desrespeitam continuadamente.
Arriscamo-nos a ser uma nova Grécia?
Quando falam da Grécia nesse tom de xenofobia velada e cobarde, seria interessante perguntar-lhes qual é, afinal, o país que eles quem querem ser. Da mesma maneira que repetem que não querem ser gregos, seria bonito ouvi-los afirmar que querem ser alemães.
Então, talvez a xenofobia lhes caísse em cima. Talvez lhes fizesse bem sentir esse peso. Tenho curiosidade de ver quantos os seguiriam no dia em que tornassem explícitos os dois lados desse simplismo que coloca a Grécia e a Alemanha em polos opostos de uma guerra surda, em que um dos lados bombardeia o outro, diariamente, com humilhação.
A Grécia não é um país a evitar, os gregos não são um povo a evitar. Aqui, neste nosso país, há muitos que já são gregos porque estão desempregados e sem horizontes como tanta gente na Grécia, porque não sabem como pagar a casa ao banco, porque sofrem como tantos gregos. Quem tem verdadeiro medo de ser como os gregos são esses senhores de fato, protegidos, porque sabem que os seus homólogos da Grécia estão a ser vigiados, com pouca margem.
Seremos outra Grécia se tivermos sorte.





